Sobre a Dengue

Falta de água acaba piorando problema da dengue no Maranhão

SÃO LUÍS – No Maranhão, falhas no abastecimento de água da capital têm provocado problemas de saúde. Um deles, por causa da necessidade de armazenar água. Em boa parte de São Luís, o abastecimento é feito por caminhão-pipa. Pelos próximos dois meses, 170 comunidades da capital vão conviver com esse problema e com outro ainda mais grave. É que muita gente resolveu guardar água em recepientes sem tampas. Foi onde o mosquito da dengue encontrou o ambiente perfeito para se reproduzir.

- Eu sei que a gente tem que armazenar água, mas vamos tomar cuidado com os reservatórios de água, porque a situação está ruim – disse a agente de saúde Isabel Abreu.

Segundo o Ministério da Saúde, o armazenamento de água nestas condições é responsável por 94% dos focos de mosquito em São Luís. Em uma única lata de tinta destampada, os agentes encontraram 25 pupas, o último estágio antes de nascerem os mosquitos. Mais três dias na água e virariam insetos transmissores da dengue.

- Já pronto para picar, para eclodir, é uma tristeza – lamentou o agente de saúde Demézio Rodrigues.

Dúvidas Dengue

1. O que é Dengue?
A Dengue é uma doença febril aguda. A pessoa pode adoecer quando o vírus penetra no organismo, pela picada de um mosquito infectado, o Aedes aegypti.

2. Quanto tempo depois de ser picado aparece a doença?
Se o mosquito estiver infectado, o período de incubação varia de 3 a 15 dias, sendo em média de 5 a 6 dias.

3. Quais são os sintomas da Dengue?
Os sintomas mais comuns são febre, dores no corpo, principalmente nas articulações, e dor de cabeça.Também podem aparecer manchas vermelhas pelo corpo e em alguns casos, sangramento, mais comum na gengiva.

4. O que devo fazer se aparecer alguns desses sintomas?
Buscar o serviço de saúde mais próximo.

5. Como é feito o tratamento da Dengue?
Não há tratamento específico para o paciente com Dengue clássica. O médico deve tratar os sintomas, como as dores de cabeça e no corpo, com analgésicos e antitérmicos (dipirona). Devem ser evitados os salicilatos, como o AAS e a Aspirina, já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas. É importante também que o paciente fique em repouso e beba bastante líquido. Já os pacientes com Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) devem ser observados cuidadosamente para identificação dos primeiros sinais de choque, como a queda de pressão. O período crítico ocorre durante a transição da fase febril para a sem febre, geralmente após o 3º dia da doença. A pessoa deixa de ter febre e isso leva a uma falsa sensação de melhora, mas em seguida o quadro clínico do paciente piora. Em casos menos graves, quando o vômito ameaçar causar desidratação, a reidratação pode ser feita em nível ambulatorial. Alguns dos sintomas da Dengue só podem ser diagnosticados por um médico.

6. A pessoa que pegar Dengue pode morrer?
Sim. A Dengue, mesmo na forma clássica, é uma doença séria. Caso a pessoa seja portadora de alguma doença crônica, como problemas cardíacos, devem ser tomados cuidados especiais. No entanto, ela é mais grave quando se apresenta na forma hemorrágica. Nesse caso, quando tratada a tempo, a pessoa não corre risco de morte.

7. Quais os cuidados para não se pegar Dengue?
Como é praticamente impossível eliminar o mosquito, é preciso identificar objetos que possam se transformar em criadouros do Aedes. Por exemplo, uma bacia no pátio de uma casa é um risco, porque, com o acúmulo da água da chuva, a fêmea do mosquito poderá depositar os ovos nesse local. Então, o único modo é limpar e retirar tudo o que possa acumular água e oferecer risco. Em 90% dos casos, o foco do mosquito está nas residências.

8. O que devo fazer para evitar o mosquito da Dengue?
Para evitar o mosquito da Dengue é preciso eliminar os focos do Aedes. Use mosquiteiros e principalmente telas nas janelas. Use roupas que cubram maior parte do corpo. Veja as dicas de prevenção.

9. Depois de termos Dengue, podemos pegar novamente?
Sim, podemos, mas nunca do mesmo tipo de vírus. Ou seja, a pessoa fica imune contra o tipo de vírus que provocou a doença, mas ela ainda poderá ser contaminada pelas outras 3 formas conhecidas do vírus da Dengue.

10. Posso pegar Dengue de uma pessoa doente?
Em hipótese alguma. Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou alimento.

11. Quantos tipos de vírus da Dengue existem?
São conhecidos 4 sorotipos: 1, 2, 3 e 4, sendo que no Brasil não existe circulação do tipo 4.

12. Existe vacina contra a Dengue?
Ainda não, mas a comunidade científica internacional e brasileira está trabalhando firme nesse propósito. Estimativas indicam que deveremos ter um imunizante contra a Dengue em 5 anos. A vacina contra a Dengue é mais complexa que as demais. A Dengue, com 4 vírus identificados até o momento, é um desafio para os pesquisadores. Será necessário fazer uma combinação de todos os vírus para que se obtenha um imunizante realmente eficaz contra a doença.

13. Por que essa doença ocorre no Brasil?
É um sério problema de saúde pública em todo o mundo, especialmente nos países tropicais como o nosso, onde as condições do meio ambiente, aliadas a características urbanas, favorecem o desenvolvimento e a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Mais de 100 países em todos os continentes, exceto a Europa, registram a presença do mosquito e casos da doença. Ano passado, o mundo teve 100 milhões de casos notificados, com 80 mil óbitos.

14. Onde o Aedes aegypti gosta de ficar?
O Aedes aegypti é um mosquito caseiro. Prefere ficar em áreas fechadas e atacar na região das pernas, embaixo das mesas, próximo ao chão.

15. Posso usar inseticidas diariamente contra o Aedes?
Pode. A maioria dos aerossóis domésticos possui piretróide que, segundo alguns especialistas, é uma substância menos tóxica para as pessoas. De qualquer maneira, os inseticidas não devem ser borrifados diretamente em pessoas, animais e plantas.

16. Posso usar repelentes corporais?
Pode, mas com cautela. Existem apresentações em creme, loção ou aerossol. Aqueles que contêm DEET formam uma camada protetora sobre a pele. Alguns repelentes têm MGK e PVO, que são substâncias que potencializam os efeitos dos repelentes. Devem ser usados com moderação. Não é recomendado para crianças com menos de 6 anos. Repelentes corporais podem causar reações alérgicas na pele. Em crianças, usa apenas os repelentes indicados para elas.

17. O Aedes também se desenvolve em piscinas?
Só em água de piscinas abandonadas. Se a água for tratada, com pH adequado e clorada, não há qualquer risco de desenvolvimento de larvas do Aedes. É recomendável limpar as bordas das piscinas periodicamente pois podem servir como depósito para ovos do mosquito.

18. Os aquários também são criadouros do Aedes?
Não. As larvas dos mosquitos são o prato preferido dos peixes.

19. Colocar pó de café nos pratinhos de plantas impede o desenvolvimento das larvas do mosquito?
Não existe comprovação da ação larvicida da borra de café.

20. Água sanitária e fumo de rolo têm ação sobre os focos?
Não existe comprovação da eficácia. É prudente não confiar.

21. E quanto ao uso de velas?
Defensores do uso de velas de andiroba e citronela para afastar os mosquitos recomendam que o mesmo seja feito em ambientes fechados. Não há comprovação científica da eficácia das velas. É melhor ser prudente.

22. O ar condicionado ajuda a afastar o mosquito?
Sim, pois o Aedes não gosta de frio.

23. É verdade que o complexo B afasta o mosquito?
O complexo B realmente altera a composição do suor do corpo humano e, segundo o relato de alguns pesquisadores, sua eliminação pela pele tem ação repelente. No entanto, há controvérsias entre os médicos quanto a esta ação.

24. A Dengue é mais comum na região serrana ou no litoral?
No litoral, embora o mosquito esteja apresentando um alto grau de adaptação a ambientes e condições que anteriormente repelia.

Sobre a dengue

No Brasil, desde o ano de 1986, epidemias de dengue são registradas quase que anualmente; no entanto, comumente observamos cm muitos gestores, profissionais de saúde e meios de comunicação certa perplexidade diante dessas epidemias, mostrando-se surpresos com a ocorrência e a magnitude das mesmas.
Por outro lado, as justificativas para as elevadas taxas de letalidade, observadas durante as epidemias de dengue, invariavelmente apontam para uma “maior agressividade” do sorotipo circulante, que isoladamente não explica a maioria dos óbitos registrados.
A experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas permite afirmar que nem as epidemias são imprevisíveis, nem as altas taxas de letalidade imutáveis.
Sendo as epidemias eventos previsíveis, nada mais lógico que organizar a rede de serviços de saúde com a antecedência e o planejamento que o problema exige. A elaboração de planos de contingência1 antes do início das epidemias, certamente, contribuirá de maneira decisiva para a redução da letalidade.
Segundo Torres (2006),
“Tão importante quanto evitar a transmissão de dengue é a preparação dos sistemas de saúde para atender adequadamente os doentes e evitar sua morte. Um bom administrador de saúde é capaz de salvar mais vidas durante uma epidemia de dengue que os médicos e intensivistas”..
A seguir são apresentadas algumas diretrizes para a organização da rede de serviços de saúde, cujo objetivo final é a redução da letalidade.

Organização dos serviços

No Brasil, desde o ano de 1986, epidemias de dengue são registradas quase que anualmente; no entanto, comumente observamos cm muitos gestores, profissionais de saúde e meios de comunicação certa perplexidade diante dessas epidemias, mostrando-se surpresos com a ocorrência e a magnitude das mesmas.
Por outro lado, as justificativas para as elevadas taxas de letalidade, observadas durante as epidemias de dengue, invariavelmente apontam para uma “maior agressividade” do sorotipo circulante, que isoladamente não explica a maioria dos óbitos registrados.
A experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas permite afirmar que nem as epidemias são imprevisíveis, nem as altas taxas de letalidade imutáveis.
Sendo as epidemias eventos previsíveis, nada mais lógico que organizar a rede de serviços de saúde com a antecedência e o planejamento que o problema exige. A elaboração de planos de contingência1 antes do início das epidemias, certamente, contribuirá de maneira decisiva para a redução da letalidade.
Segundo Torres (2006),
“Tão importante quanto evitar a transmissão de dengue é a preparação dos sistemas de saúde para atender adequadamente os doentes e evitar sua morte. Um bom administrador de saúde é capaz de salvar mais vidas durante uma epidemia de dengue que os médicos e intensivistas”..
A seguir são apresentadas algumas diretrizes para a organização da rede de serviços de saúde, cujo objetivo final é a redução da letalidade.

Dengue Tratamento

Dengue clássica:
não há tratamento específico. A medicação é apenas sintomática,
com analgésicos e antitérmicos (paracetamol e dipirona). Devem
ser evitados os salicilatos e os antiinflamatórios não hormonais,
já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações
hemorrágicas e acidose. O paciente deve ser orientado
a permanecer em repouso e iniciar hidratação oral.
Febre Hemorrágica da Dengue – FHD:
os pacientes devem ser observados cuidadosamente para
identificação dos primeiros sinais de choque. O período crítico
será durante a transição da fase febril para a afebril, que geralmente
ocorre após o terceiro dia da doença. Em casos menos graves,
quando os vômitos ameaçarem causar desidratação ou acidose,
ou houver sinais de hemoconcentração, a reidratação pode ser
feita em nível ambulatorial.

Dengue Diagnóstico

Diagnóstico Diferencial


Dengue clássica:
considerando que a dengue tem um amplo espectro clínico,
as principais doenças a serem consideradas no diagnóstico
diferencial são: gripe, rubéola, sarampo e outras infecções virais,
bacterianas e exantemáticas.

Febre Hemorrágica da Dengue – FHD:
no início da fase febril, o diagnóstico diferencial deve ser feito
com outras infecções virais e bacterianas e, a partir do 3º
ou 4º dia, com choque endotóxico decorrente de infecção
bacteriana ou meningococcemia.
As doenças a serem consideradas são: leptospirose, febre
amarela, malária, hepatite infecciosa, influenza, bem como outras
febres hemorrágicas transmitidas por mosquitos ou carrapatos.

Diagnóstico Laboratorial
Exames Específicos
A comprovação laboratorial das infecções pelo vírus da
dengue faz-se pelo isolamento do agente ou pelo emprego
de métodos sorológicos – demonstração da presença
de anticorpos da classe IgM em única amostra de soro
ou aumento do título de anticorpos IgG em amostras
pareadas (conversão sorológica).
Isolamento: é o método mais específico para determinação do
sorotipo responsável pela infecção. A coleta de sangue
deverá ser feita em condições de assepsia, de preferência
no terceiro ou quarto dia do ínicio dos sintomas. Após o
término dos sintomas não se deve coletar sangue para
isolamento viral.
Sorologia: os testes sorológicos complementam o isolamento do
vírus e a coleta de amostra de sangue deverá ser feita após
o sexto dia do início da doença.
Obs.: não congelar o sangue total, nem encostar o frasco
diretamente no gelo para evitar hemólise. Os tubos ou
frascos encaminhados ao laboratório deverão ter rótulo com
nome completo do paciente e data da coleta da amostra,
preenchido a lápis para evitar que se torne ilegível ao
contato com a água.

Suscetibilidade e Imunidade

A suscetibilidade ao vírus da dengue é universal. A imunidade é permanente para um mesmo sorotipo (homóloga). Entretanto, a imunidade cruzada (heteróloga) existe temporariamente.
A fisiopatogenia da resposta imunológica à infecção aguda por dengue pode ser primária e secundária. A resposta primária se dá em pessoas não expostas anteriormente ao flavivírus e o título
de anticorpos se eleva lentamente. A resposta secundária se dá em pessoas com infecção aguda por dengue, mas que tiverem infecção prévia por flavivírus e o título de anticorpos se eleva rapidamente em níveis bastante altos. A suscetibilidade em relação à Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) não está totalmente
esclarecida.
Três teorias mais conhecidas tentam explicar sua ocorrência
1. Relaciona o aparecimento de FHD à virulência da cepa
infectante, de modo que as formas mais graves sejam
resultantes de cepas extremamente virulentas.
2. Na Teoria de Halstead, a FHD se relaciona com infecções
seqüenciais por diferentes sorotipos do vírus da dengue,
num período de 3 meses a 5 anos. Nessa teoria, a resposta
imunológica na segunda infecção é exacerbada, o que resulta
numa forma mais grave da doença.
3. Uma hipótese integral de multicausalidade tem sido proposta por
autores cubanos, segundo a qual se aliam vários fatores de
risco às teorias de Halstead e da virulência da cepa. A interação
desses fatores de risco promoveria condições para a ocorrência
da FHD.

Erros sobre a dengue

DEVE-SE ESPERAR QUE O PACIENTE APRESENTE FEBRE, SANGRAMENTO ESPONTÂNEO, TROMBOCITOPENIA (plaquetas< 100.000/ mm3) E HEMOCONCENTRAÇÃO OU OUTRO SINAL DE EXTRAVASAMENTO PLASMÁTICO PARA INICIARA REPOSIÇÃO VENOSA DE LÍQUIDOS.

De acordo com a OMS, os quatro critérios citados devem estarpresentes para se caracterizar a febre hemorrágica da dengue (FHD/SCD). No Brasil, por orientação do Ministério da Saúde, optou-se por uma classificação que permite avaliar o paciente de forma dinâmica, Assim, o paciente com dengue pode apresentar sinais de alerta que anunciam a iminência do choque e, nesse momento, médicos e demais profissionais de saúde devem estar sempre vigilantes para iniciar a reposição de líquidos precocemente com o objetivo de encaminhar o paciente às unidades de saúde de maior complexidade e quando necessário, na melhor condição clínica possível.

Erro: Complicações apenas com dengue hemorrágica

PACIENTES COM DENGUE CLÁSSICO NÁO TÊM COMPLICAÇÕES, ESSAS SÓ OCORREM NO DENGUE HEMORRÁGICO.
E erro grave achar que as complicações só irão ocorrer em pacientes com-dengue hemorrágico, atribuindo boa evolução a todos os pacientes com dengue clássico: “a , febre do dengue incomoda, mas não mata”.
Ao dengue clássico podem se associar, e isso ocorre com relativa freqüência, alterações da função hepática, miocardite, e outras cardiopatias, assim como manifestações neurológicas que traduzem
comprometimento do sistema nervoso central. Além disso, no início da doença, não é possível saber que paciente evoluirá mal, podendo chegar ao dengue hemorrágico e à síndrome por choque do dengue.
Portanto, durante uma epidemia, todos os pacientes com suspeita de dengue devem receber atenção médica e orientação para identificação dos sinais de alerta, mantendo-se em observação durante o período febril e, pelo menos, 48 horas depois.

Erros: Febre Dengue

AS COMPLICAÇÕES DO DENGUE SURGEM DURANTE O PICO DA FEBRE, PORTANTO NÃO HÁ NECESSIDADE DE VIGIAR OS SINAIS DE ALERTA APÓS O PERÍODO FEBRIL.
Na realidade, o período crítico coincide com a defervescencia da febre. Geralmente, durante a queda da febre ou pouco depois, pode ser constatada a hemoconcentração, com o surgimento dos derrames cavitários resultantes do extravasamento plasmático, com graves conseqüências clínicas. Posteriormente podem aparecer hipotensão arterial, baixo débito cardíaco, taquicardia, pulso fino e rápido, cianose periférica e choque.
Essa evolução desfavorável pode ser evitada se o doente com dengue é colocado em observação clínica, especialmente no período que sucede à queda da febre, por meio da vigilância e da busca ativa dos sinais de alerta.