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Dúvidas Dengue

1. O que é Dengue?
A Dengue é uma doença febril aguda. A pessoa pode adoecer quando o vírus penetra no organismo, pela picada de um mosquito infectado, o Aedes aegypti.

2. Quanto tempo depois de ser picado aparece a doença?
Se o mosquito estiver infectado, o período de incubação varia de 3 a 15 dias, sendo em média de 5 a 6 dias.

3. Quais são os sintomas da Dengue?
Os sintomas mais comuns são febre, dores no corpo, principalmente nas articulações, e dor de cabeça.Também podem aparecer manchas vermelhas pelo corpo e em alguns casos, sangramento, mais comum na gengiva.

4. O que devo fazer se aparecer alguns desses sintomas?
Buscar o serviço de saúde mais próximo.

5. Como é feito o tratamento da Dengue?
Não há tratamento específico para o paciente com Dengue clássica. O médico deve tratar os sintomas, como as dores de cabeça e no corpo, com analgésicos e antitérmicos (dipirona). Devem ser evitados os salicilatos, como o AAS e a Aspirina, já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas. É importante também que o paciente fique em repouso e beba bastante líquido. Já os pacientes com Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) devem ser observados cuidadosamente para identificação dos primeiros sinais de choque, como a queda de pressão. O período crítico ocorre durante a transição da fase febril para a sem febre, geralmente após o 3º dia da doença. A pessoa deixa de ter febre e isso leva a uma falsa sensação de melhora, mas em seguida o quadro clínico do paciente piora. Em casos menos graves, quando o vômito ameaçar causar desidratação, a reidratação pode ser feita em nível ambulatorial. Alguns dos sintomas da Dengue só podem ser diagnosticados por um médico.

6. A pessoa que pegar Dengue pode morrer?
Sim. A Dengue, mesmo na forma clássica, é uma doença séria. Caso a pessoa seja portadora de alguma doença crônica, como problemas cardíacos, devem ser tomados cuidados especiais. No entanto, ela é mais grave quando se apresenta na forma hemorrágica. Nesse caso, quando tratada a tempo, a pessoa não corre risco de morte.

7. Quais os cuidados para não se pegar Dengue?
Como é praticamente impossível eliminar o mosquito, é preciso identificar objetos que possam se transformar em criadouros do Aedes. Por exemplo, uma bacia no pátio de uma casa é um risco, porque, com o acúmulo da água da chuva, a fêmea do mosquito poderá depositar os ovos nesse local. Então, o único modo é limpar e retirar tudo o que possa acumular água e oferecer risco. Em 90% dos casos, o foco do mosquito está nas residências.

8. O que devo fazer para evitar o mosquito da Dengue?
Para evitar o mosquito da Dengue é preciso eliminar os focos do Aedes. Use mosquiteiros e principalmente telas nas janelas. Use roupas que cubram maior parte do corpo. Veja as dicas de prevenção.

9. Depois de termos Dengue, podemos pegar novamente?
Sim, podemos, mas nunca do mesmo tipo de vírus. Ou seja, a pessoa fica imune contra o tipo de vírus que provocou a doença, mas ela ainda poderá ser contaminada pelas outras 3 formas conhecidas do vírus da Dengue.

10. Posso pegar Dengue de uma pessoa doente?
Em hipótese alguma. Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou alimento.

11. Quantos tipos de vírus da Dengue existem?
São conhecidos 4 sorotipos: 1, 2, 3 e 4, sendo que no Brasil não existe circulação do tipo 4.

12. Existe vacina contra a Dengue?
Ainda não, mas a comunidade científica internacional e brasileira está trabalhando firme nesse propósito. Estimativas indicam que deveremos ter um imunizante contra a Dengue em 5 anos. A vacina contra a Dengue é mais complexa que as demais. A Dengue, com 4 vírus identificados até o momento, é um desafio para os pesquisadores. Será necessário fazer uma combinação de todos os vírus para que se obtenha um imunizante realmente eficaz contra a doença.

13. Por que essa doença ocorre no Brasil?
É um sério problema de saúde pública em todo o mundo, especialmente nos países tropicais como o nosso, onde as condições do meio ambiente, aliadas a características urbanas, favorecem o desenvolvimento e a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Mais de 100 países em todos os continentes, exceto a Europa, registram a presença do mosquito e casos da doença. Ano passado, o mundo teve 100 milhões de casos notificados, com 80 mil óbitos.

14. Onde o Aedes aegypti gosta de ficar?
O Aedes aegypti é um mosquito caseiro. Prefere ficar em áreas fechadas e atacar na região das pernas, embaixo das mesas, próximo ao chão.

15. Posso usar inseticidas diariamente contra o Aedes?
Pode. A maioria dos aerossóis domésticos possui piretróide que, segundo alguns especialistas, é uma substância menos tóxica para as pessoas. De qualquer maneira, os inseticidas não devem ser borrifados diretamente em pessoas, animais e plantas.

16. Posso usar repelentes corporais?
Pode, mas com cautela. Existem apresentações em creme, loção ou aerossol. Aqueles que contêm DEET formam uma camada protetora sobre a pele. Alguns repelentes têm MGK e PVO, que são substâncias que potencializam os efeitos dos repelentes. Devem ser usados com moderação. Não é recomendado para crianças com menos de 6 anos. Repelentes corporais podem causar reações alérgicas na pele. Em crianças, usa apenas os repelentes indicados para elas.

17. O Aedes também se desenvolve em piscinas?
Só em água de piscinas abandonadas. Se a água for tratada, com pH adequado e clorada, não há qualquer risco de desenvolvimento de larvas do Aedes. É recomendável limpar as bordas das piscinas periodicamente pois podem servir como depósito para ovos do mosquito.

18. Os aquários também são criadouros do Aedes?
Não. As larvas dos mosquitos são o prato preferido dos peixes.

19. Colocar pó de café nos pratinhos de plantas impede o desenvolvimento das larvas do mosquito?
Não existe comprovação da ação larvicida da borra de café.

20. Água sanitária e fumo de rolo têm ação sobre os focos?
Não existe comprovação da eficácia. É prudente não confiar.

21. E quanto ao uso de velas?
Defensores do uso de velas de andiroba e citronela para afastar os mosquitos recomendam que o mesmo seja feito em ambientes fechados. Não há comprovação científica da eficácia das velas. É melhor ser prudente.

22. O ar condicionado ajuda a afastar o mosquito?
Sim, pois o Aedes não gosta de frio.

23. É verdade que o complexo B afasta o mosquito?
O complexo B realmente altera a composição do suor do corpo humano e, segundo o relato de alguns pesquisadores, sua eliminação pela pele tem ação repelente. No entanto, há controvérsias entre os médicos quanto a esta ação.

24. A Dengue é mais comum na região serrana ou no litoral?
No litoral, embora o mosquito esteja apresentando um alto grau de adaptação a ambientes e condições que anteriormente repelia.

Dengue Prevenção

Como prevenir a dengue

  • Evite ter bromélias em casa. Substitua-as por outras plantas que não acumulem água. Se preferir mantê-las, é indispensável tratá-las com água sanitária na proporção de uma colher de sopa para um litro de água, regando, no mínimo, duas vezes por semana. Tire sempre a água acumulada nas folhas.
  • Coloque areia até a borda de pratinhos de vasos de planta dentro e fora de casa.
  • Coloque em um saco plástico, feche bem e jogue no lixo: tampinhas de garrafa, cascas de ovo, latinhas, embalagens e copos plásticos, ou qualquer objeto que possa acumular o mínimo de água.
  • Para as lixeiras dentro e fora de casa, feche bem o saco plástico e mantenha a lixeira tampada.
  • Vasilhames para água e comida de animais domésticos. Lave-os pelo menos uma vez por semana com escova.
  • Evite acumular entulhos. Eles podem se tornar foco do mosquito da Dengue.
  • Tonéis, barris e depósitos de água. Escove com sabão as paredes internas e tampe com telas aqueles que não têm tampa própria. Fundamental que quaisquer coleções de água estejam perfeitamente vedadas.
  • Calhas para água de chuva. Verifique se não estão entupidas. Remova folhas e outros materiais que possam impedir o escoamento de água.
  • Lajes. Retire sempre a água acumulada.
  • Pneus. Guarde-os secos em local coberto. Se não for possível, coloque areia em todos aqueles que podem acumular água.
  • Suporte de garrafões de água mineral. Lave-os bem sempre que trocar os garrafões.
  • Caixas d’água e cisternas devem ser perfeitamente vedadas. Grandes coleções de água são os principais focos do mosquito da Dengue.

Mais dicas:

  • Bandejas de ar condicionado. Verifique se não estão com acúmulo de água.
  • Armadilhas devem ser postas apenas pelo poder público. Elas podem causar grande infestação.
  • Vasos sanitários. Deixe a tampa sempre fechada. Em banheiros pouco usados, dê descarga uma vez por semana. Use água sanitária com frequência em qualquer grande reserva de água sem consumo humano.
  • Ralos. Verifique se há entupimento e se não for utilizá-los, mantenha-os vedados.
  • Bandejas externas de geladeiras. Retire sempre a água e esfregue a bandeja com água e sabão.
  • Cacos de vidro no muro. Coloque areia ou cimento em todos aqueles que podem acumular água.
  • Lagos artificiais. Mantenha-os sempre limpos e crie peixes que comam
  • larva de mosquito.
  • Piscinas. Trate a água com cloro. Limpe uma vez por semana. Esfregue
  • bem as bordas da piscina na altura da linha d’água.
  • Ao menor sinal da Dengue, procure orientação médica. O risco de morte
  • cai muito quando a doença é identificada em sua fase inicial.

Mosquito da Dengue

O mosquito da Dengue, muito parecido com o pernilongo, é menor que um mosquito comum (5 a 7 milímetros), de cor escura, rajado, com listras brancas no corpo e nas patas. Chama-se Aedes aegypti, por ter sido identificado no Egito. O nome significa “o indesejável do Egito”.

Curiosamente, somente a fêmea precisa do sangue humano para seu desenvolvimento; o macho alimenta-se de frutas. Portanto, somente as fêmeas irão transmitir a Dengue.

O Aedes aegypti ataca somente durante o dia, geralmente de manhã ou no final da tarde.

Existe apenas esse tipo de Aedes?

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Não. Existem dezenas de espécies de Aedes. Eis apenas alguns exemplos:

Aedes aegypti – é um mosquito urbano. Vive nas casas ou próximo a elas. Transmite a febre amarela urbana e a Dengue. Pode transmitir também filariose
e encefalite.

Aedes africanus – é um mosquito que vive nas matas e que ataca os macacos.
É vetor da febre amarela silvestre.

Aedes pseudoscutellaris – espécie das ilhas do Pacífico. É o vetor da filariose.

Aedes canadensis – espécie Norte Americana. Vetor da encefalite eqüina.

Aedes togoi – espécie do Japão. Vetor da filariose.

Aedes albopictus – Mosquito encontrado no Rio. É capaz de transmitir Dengue, embora não haja registro no Brasil. Mas em outros lugares do mundo,
ele é transmissor.

Qual é a relação entre o Aedes e a temperatura ambiente?

A temperatura mais favorável para o desenvolvimento da larva é entre 25 a 30ºC. Abaixo e acima destas temperaturas o Aedes diminui sua atividade. Acima de 42ºC e abaixo de 5ºC ele morre.

Ciclo de Reprodução

No Brasil, o mosquito transmissor da Dengue é o Aedes aegypti. Seu ciclo de vida compreende quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto.

OVO – Os ovos do Aedes aegypti medem cerca de 1 mm de comprimento e são depositados um a um pela fêmea em recipientes de água parada, na sua superfície. Lá eles aderem à parede interna desses recipientes imediatamente após serem depositados. Os ovos, até então brancos, adquirem a cor negra brilhante. O desenvolvimento completo do embrião se dá em 48 horas, em condições favoráveis de umidade e alta temperatura. Completado o desenvolvimento embrionário, os ovos são capazes de resistir por mais de ano, mesmo longe da água (o que chamamos resistência à dessecação). Após esse período, se colocado em contado com locais úmidos, pode haver a eclosão. Esta condição permite que os ovos sejam transportados a grandes distâncias, o que o torna o principal meio de proliferação e dispersão do mosquito.

LARVA – Fase que antecede a pupa, as larvas alimentam-se de substâncias orgânicas, bactérias, fungos e protozoários existentes na água. A duração da fase larval, em condições favoráveis de temperatura (25 a 29ºC) e boa alimentação, pode chegar a 10 dias, podendo se prolongar por algumas semanas. Movimenta-se em forma de serpente, como um “S”. É sensível a movimentos bruscos na água, movimenta-se com rapidez e se refugia no fundo do recipiente.

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PUPA – A pupa não se alimenta, apenas respira e raramente é afetada pela ação de larvicidas. A duração da fase pupal, em condições favoráveis de temperatura, é de aproximadamente dois dias. É nesta fase que ocorre a metamorfose do estágio larval para o adulto.

Mosquito dengue ADULTO – Na fase adulta, já formado o mosquito, macho e fêmea alimentam-se de néctar e sulcos vegetais até a fase de acasalamento (uma única inseminação é suficiente para fecundar todos os ovos que a fêmea venha a produzir durante sua vida). A partir daí, a fêmea necessita de sangue para a maturação dos ovos. A busca por esse alimento ocorre, geralmente, durante o dia – nas primeiras horas da manhã e ao anoitecer. Em regiões tropicais, como o Brasil, o fato de ocorrerem chuvas constantes aumenta significativamente o número de mosquitos.

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Sintomas Dengue

Após a picada do mosquito, os sintomas se manifestam entre 3 a 15 dias, mas em média de 5 a 6 dias. É só depois desse período que os seguintes sintomas começam a  aparecer:

Dengue Clássica

  • Febre alta com início súbito.
  • Forte dor de cabeça.
  • Dor atrás dos olhos, que piora com o movimento dos mesmos.
  • Perda do paladar e apetite.
  • Manchas e erupções na pele semelhantes ao sarampo, principalmente no tórax e membros superiores.
  • Náuseas e vômitos.
  • Tonturas.
  • Extremo cansaço.
  • Moleza e dor no corpo.
  • Muitas dores nos ossos e articulações.

Dengue hemorrágica

Os sintomas da Dengue hemorrágica são os mesmos da Dengue comum.
A diferença ocorre quando acaba a febre e começam a surgir os sinais de alerta:

  • Dores abdominais fortes e contínuas.
  • Vômitos persistentes.
  • Pele pálida, fria e úmida.
  • Sangramento pelo nariz, boca e gengivas.
  • Manchas vermelhas na pele.
  • Sonolência, agitação e confusão mental.
  • Sede excessiva e boca seca.
  • Pulso rápido e fraco.
  • Dificuldade respiratória.
  • Perda de consciência.

Na Dengue hemorrágica, o quadro clínico se agrava rapidamente, apresentando sinais de insuficiência circulatória e choque, podendo levar a pessoa à morte em até 24 horas.

Em caso de suspeita de Dengue, sempre procurar, o mais rápido possível, o posto de saúde mais próximo.

Sobre a dengue

No Brasil, desde o ano de 1986, epidemias de dengue são registradas quase que anualmente; no entanto, comumente observamos cm muitos gestores, profissionais de saúde e meios de comunicação certa perplexidade diante dessas epidemias, mostrando-se surpresos com a ocorrência e a magnitude das mesmas.
Por outro lado, as justificativas para as elevadas taxas de letalidade, observadas durante as epidemias de dengue, invariavelmente apontam para uma “maior agressividade” do sorotipo circulante, que isoladamente não explica a maioria dos óbitos registrados.
A experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas permite afirmar que nem as epidemias são imprevisíveis, nem as altas taxas de letalidade imutáveis.
Sendo as epidemias eventos previsíveis, nada mais lógico que organizar a rede de serviços de saúde com a antecedência e o planejamento que o problema exige. A elaboração de planos de contingência1 antes do início das epidemias, certamente, contribuirá de maneira decisiva para a redução da letalidade.
Segundo Torres (2006),
“Tão importante quanto evitar a transmissão de dengue é a preparação dos sistemas de saúde para atender adequadamente os doentes e evitar sua morte. Um bom administrador de saúde é capaz de salvar mais vidas durante uma epidemia de dengue que os médicos e intensivistas”..
A seguir são apresentadas algumas diretrizes para a organização da rede de serviços de saúde, cujo objetivo final é a redução da letalidade.

Organização dos serviços

No Brasil, desde o ano de 1986, epidemias de dengue são registradas quase que anualmente; no entanto, comumente observamos cm muitos gestores, profissionais de saúde e meios de comunicação certa perplexidade diante dessas epidemias, mostrando-se surpresos com a ocorrência e a magnitude das mesmas.
Por outro lado, as justificativas para as elevadas taxas de letalidade, observadas durante as epidemias de dengue, invariavelmente apontam para uma “maior agressividade” do sorotipo circulante, que isoladamente não explica a maioria dos óbitos registrados.
A experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas permite afirmar que nem as epidemias são imprevisíveis, nem as altas taxas de letalidade imutáveis.
Sendo as epidemias eventos previsíveis, nada mais lógico que organizar a rede de serviços de saúde com a antecedência e o planejamento que o problema exige. A elaboração de planos de contingência1 antes do início das epidemias, certamente, contribuirá de maneira decisiva para a redução da letalidade.
Segundo Torres (2006),
“Tão importante quanto evitar a transmissão de dengue é a preparação dos sistemas de saúde para atender adequadamente os doentes e evitar sua morte. Um bom administrador de saúde é capaz de salvar mais vidas durante uma epidemia de dengue que os médicos e intensivistas”..
A seguir são apresentadas algumas diretrizes para a organização da rede de serviços de saúde, cujo objetivo final é a redução da letalidade.

NÃO HÁ GRAVIDADE NA PRIMOINFECÇÃO PELO VÍRUS DO DENGUE.

NÃO HÁ GRAVIDADE NA PRIMOINFECÇÃO PELO VÍRUS DO DENGUE.

Acreditar que a primo-infecção por dengue será sempre benigna e que, em virtude da chamada “infecção seqüencial”, qualquer infecção secundária evoluirá com gravidade é erro grave na abordagem do paciente com dengue.
Para explicar a origem das alterações que levam ao surgimento do dengue hemorrágico foram elaboradas algumas hipóteses, a mais conhecida delas a chamada “teoria da infecção seqüencial”.
A infecção por dengue provoca imunidade permanente contra o”sorotipo infectante (homóloga) e imunidade transitória, que dura de dois a três meses contra os demais.
Segundo a teoria da infecção seqüencial, a etiopatogenia do dengue hemorrágico está centrada na presença de anticorpos heterólogos antidenguc da classe IgG, adquiridos ativa ou passivamente (pela placenta), existentes em concentrações subneutralizantes e que formam complexos imunes com os vírus. Os complexos imunes, uma vez ligados aos fagócitos mononucleares, são rapidamente internalizados, resultando em infecção celular seguida de replicação virai. Em outras palavras, os
anticorpos em concentrações subneutralizantes impedem a reinfecção pelo mesmo sorotipo que estimulou a sua produção e, paradoxalmente, facilitam a infecção por outros sorotipos.
Entretanto, o papel decisivo.do fenômeno da imunoamplificação da infecção por meio dos anticorpos, durante infecção secundária, não é uma formulação consensual, até porque a febre hemorrágica do dengue e a síndrome do choque por dengue têm sido relatadas em casos de infecção primária.
Além da teoria da infecção seqüencial, existe a chamada “hipótese integral”, segundo a qual a ocorrência do dengue hemorrágico dependeria da conjunção de fatores individuais, epidemiológicos e do próprio vírus, ;
Entre os fatores individuais de risco estão a co-existência de doenças crônicas como diabetes mellitus, asma brônquica, colagenoses e hipertensão arterial, idade inferior a 15 anos, presença de anticorpos contra dengue de infecção anterior e resposta individual do hospedeiro.
Densidade elevada do vetor, população susceptível, infecção seqüencial, sobretudo quando a segunda infecção ocorre até cinco anos após a primeira, seqüência dos vírus infectantes (DEN-1 seguido pelo DEN-2) e circulação dos vírus em grande intensidade são descritos com fatores epidemiológicos de risco para a ocorrência das formas graves do dengue (FHD/SCD).
A virulência da cepa e o próprio sorotipo são os fatores do vírus que podem estar relacionados à ocorrência do dengue hemorrágico.

Erros sobre a dengue

SEMPRE OCORRERÁ FEBRE HEMORRÁGICA DA DENGUE (FHD) NOS CASOS EXPOSTOS À INFECÇÃO PRÉVIA POR OUTRO SOROTIPO

Erros: Febre Dengue

AS COMPLICAÇÕES DO DENGUE SURGEM DURANTE O PICO DA FEBRE, PORTANTO NÃO HÁ NECESSIDADE DE VIGIAR OS SINAIS DE ALERTA APÓS O PERÍODO FEBRIL.
Na realidade, o período crítico coincide com a defervescencia da febre. Geralmente, durante a queda da febre ou pouco depois, pode ser constatada a hemoconcentração, com o surgimento dos derrames cavitários resultantes do extravasamento plasmático, com graves conseqüências clínicas. Posteriormente podem aparecer hipotensão arterial, baixo débito cardíaco, taquicardia, pulso fino e rápido, cianose periférica e choque.
Essa evolução desfavorável pode ser evitada se o doente com dengue é colocado em observação clínica, especialmente no período que sucede à queda da febre, por meio da vigilância e da busca ativa dos sinais de alerta.

Erro sobre a dengue

AS FORMAS GRAVES DO DENGUE SÓ OCORREM EM PACIENTES DE CLASSE SOCIAL MENOS FAVORECIDA.
Esse erro pode levar à organização do serviço de saúde de forma a capacitar médicos e enfermeiros de serviços públicos que atendem em locais mais pobres, deixando os profissionais do setor privado sem capacitação. Tal fato ocorreu em Recife, durante a epidemia de dengue de 2002, pelo sorotipo3. Nessa ocasião, a maioria dos óbitos ocorreu em hospitais da rede particular.
Em todos os países de ocorrência do dengue, houve casos graves, muitas vezes fatais, em médicos, enfermeiros, políticos, empresários, artistas, jornalistas e outros.