Erros

NÃO HÁ GRAVIDADE NA PRIMOINFECÇÃO PELO VÍRUS DO DENGUE.

NÃO HÁ GRAVIDADE NA PRIMOINFECÇÃO PELO VÍRUS DO DENGUE.

Acreditar que a primo-infecção por dengue será sempre benigna e que, em virtude da chamada “infecção seqüencial”, qualquer infecção secundária evoluirá com gravidade é erro grave na abordagem do paciente com dengue.
Para explicar a origem das alterações que levam ao surgimento do dengue hemorrágico foram elaboradas algumas hipóteses, a mais conhecida delas a chamada “teoria da infecção seqüencial”.
A infecção por dengue provoca imunidade permanente contra o”sorotipo infectante (homóloga) e imunidade transitória, que dura de dois a três meses contra os demais.
Segundo a teoria da infecção seqüencial, a etiopatogenia do dengue hemorrágico está centrada na presença de anticorpos heterólogos antidenguc da classe IgG, adquiridos ativa ou passivamente (pela placenta), existentes em concentrações subneutralizantes e que formam complexos imunes com os vírus. Os complexos imunes, uma vez ligados aos fagócitos mononucleares, são rapidamente internalizados, resultando em infecção celular seguida de replicação virai. Em outras palavras, os
anticorpos em concentrações subneutralizantes impedem a reinfecção pelo mesmo sorotipo que estimulou a sua produção e, paradoxalmente, facilitam a infecção por outros sorotipos.
Entretanto, o papel decisivo.do fenômeno da imunoamplificação da infecção por meio dos anticorpos, durante infecção secundária, não é uma formulação consensual, até porque a febre hemorrágica do dengue e a síndrome do choque por dengue têm sido relatadas em casos de infecção primária.
Além da teoria da infecção seqüencial, existe a chamada “hipótese integral”, segundo a qual a ocorrência do dengue hemorrágico dependeria da conjunção de fatores individuais, epidemiológicos e do próprio vírus, ;
Entre os fatores individuais de risco estão a co-existência de doenças crônicas como diabetes mellitus, asma brônquica, colagenoses e hipertensão arterial, idade inferior a 15 anos, presença de anticorpos contra dengue de infecção anterior e resposta individual do hospedeiro.
Densidade elevada do vetor, população susceptível, infecção seqüencial, sobretudo quando a segunda infecção ocorre até cinco anos após a primeira, seqüência dos vírus infectantes (DEN-1 seguido pelo DEN-2) e circulação dos vírus em grande intensidade são descritos com fatores epidemiológicos de risco para a ocorrência das formas graves do dengue (FHD/SCD).
A virulência da cepa e o próprio sorotipo são os fatores do vírus que podem estar relacionados à ocorrência do dengue hemorrágico.

Erros sobre a dengue

SEMPRE OCORRERÁ FEBRE HEMORRÁGICA DA DENGUE (FHD) NOS CASOS EXPOSTOS À INFECÇÃO PRÉVIA POR OUTRO SOROTIPO

Erros sobre a dengue

DEVE-SE ESPERAR QUE O PACIENTE APRESENTE FEBRE, SANGRAMENTO ESPONTÂNEO, TROMBOCITOPENIA (plaquetas< 100.000/ mm3) E HEMOCONCENTRAÇÃO OU OUTRO SINAL DE EXTRAVASAMENTO PLASMÁTICO PARA INICIARA REPOSIÇÃO VENOSA DE LÍQUIDOS.

De acordo com a OMS, os quatro critérios citados devem estarpresentes para se caracterizar a febre hemorrágica da dengue (FHD/SCD). No Brasil, por orientação do Ministério da Saúde, optou-se por uma classificação que permite avaliar o paciente de forma dinâmica, Assim, o paciente com dengue pode apresentar sinais de alerta que anunciam a iminência do choque e, nesse momento, médicos e demais profissionais de saúde devem estar sempre vigilantes para iniciar a reposição de líquidos precocemente com o objetivo de encaminhar o paciente às unidades de saúde de maior complexidade e quando necessário, na melhor condição clínica possível.

Erro: Complicações apenas com dengue hemorrágica

PACIENTES COM DENGUE CLÁSSICO NÁO TÊM COMPLICAÇÕES, ESSAS SÓ OCORREM NO DENGUE HEMORRÁGICO.
E erro grave achar que as complicações só irão ocorrer em pacientes com-dengue hemorrágico, atribuindo boa evolução a todos os pacientes com dengue clássico: “a , febre do dengue incomoda, mas não mata”.
Ao dengue clássico podem se associar, e isso ocorre com relativa freqüência, alterações da função hepática, miocardite, e outras cardiopatias, assim como manifestações neurológicas que traduzem
comprometimento do sistema nervoso central. Além disso, no início da doença, não é possível saber que paciente evoluirá mal, podendo chegar ao dengue hemorrágico e à síndrome por choque do dengue.
Portanto, durante uma epidemia, todos os pacientes com suspeita de dengue devem receber atenção médica e orientação para identificação dos sinais de alerta, mantendo-se em observação durante o período febril e, pelo menos, 48 horas depois.

Erros: Febre Dengue

AS COMPLICAÇÕES DO DENGUE SURGEM DURANTE O PICO DA FEBRE, PORTANTO NÃO HÁ NECESSIDADE DE VIGIAR OS SINAIS DE ALERTA APÓS O PERÍODO FEBRIL.
Na realidade, o período crítico coincide com a defervescencia da febre. Geralmente, durante a queda da febre ou pouco depois, pode ser constatada a hemoconcentração, com o surgimento dos derrames cavitários resultantes do extravasamento plasmático, com graves conseqüências clínicas. Posteriormente podem aparecer hipotensão arterial, baixo débito cardíaco, taquicardia, pulso fino e rápido, cianose periférica e choque.
Essa evolução desfavorável pode ser evitada se o doente com dengue é colocado em observação clínica, especialmente no período que sucede à queda da febre, por meio da vigilância e da busca ativa dos sinais de alerta.

Erro sobre a dengue

AS FORMAS GRAVES DO DENGUE SÓ OCORREM EM PACIENTES DE CLASSE SOCIAL MENOS FAVORECIDA.
Esse erro pode levar à organização do serviço de saúde de forma a capacitar médicos e enfermeiros de serviços públicos que atendem em locais mais pobres, deixando os profissionais do setor privado sem capacitação. Tal fato ocorreu em Recife, durante a epidemia de dengue de 2002, pelo sorotipo3. Nessa ocasião, a maioria dos óbitos ocorreu em hospitais da rede particular.
Em todos os países de ocorrência do dengue, houve casos graves, muitas vezes fatais, em médicos, enfermeiros, políticos, empresários, artistas, jornalistas e outros.